O celébre fotográfo Guy Bourdin ganhou algumas exposições no Brasil esse ano, no Rio, São Paulo e a recente expo em Porto Alegre, uma mostra de filmes Cinefilms de Guy Bourdin que se tornou conhecido pelos elaborados editoriais de moda inspirados na estética surrealista. Ele influenciou importantes nomes da arte contemporânea como David LaChapelle, Nick Knight, David Lynch e Madonna que rendida a sua linguagem, foi processada pelo seu filho e herdeiro (Samuel Burdin) por copiar fotos do pai em seu clipe “Hollywood”, de 2004.
Contemporâneo de Helmut Newton, Guy é menos pop que o colega mas muito mais cult. O fotógrafo e ilustrador francês nasceu em 1928, em Paris, e foi abandonado pela mãe um ano depois. Viveu no Senegal, recrutado pelo exército francês, onde começou a ter aulas de fotografia. Voltando a Paris, virou pupilo de ninguém menos do que Man Ray e logo foi escalado pela “Vogue“ francesa para rechear as páginas da revista com seu imaginário pra lá de erótico.
As páginas da revista pra Bourdin, eram duplas e recheadas de sexualidade e violência, dais quais fugindo do óbvio nas cenas cotidianas. Como desenhista, tinha total liberdade para criar. Pensava exatamente no peso de cada elemento e fazia inúmeros rascunhos antes de fotografar. Para Shelly Verthime, especialista no artista – e uma das autoras do livro “A Message For You” (sobre o universo criativo do artista e sua parceria profissional com a modelo Nicolle Meyer, também autora da publicação) – a singularidade do trabalho dele está “na composição, cores, jogo de real e irreal, mistério e surrealismo: “Enquanto todos os anúncios são iguais, ele explora o olhar através de uma fechadura”.
Guy Bourdin se tornou referência em publicidade através dos anúncios da marca de sapatos Charles Jourdan, pra quem contribuiu durante 14 anos. Sua identidade é tão forte que é impossível alguém ter passado pelos anos 70 sem notar suas campanhas. Romântico radical da profissão, acreditava na pureza do destino de cada imagem e não aceitava que uma foto fosse veiculada fora da mídia pra qual foi feita. Mas o fotógrafo não primava pelo zelo com seu acervo pessoal e muito de sua obra ficou perdida. Polêmico, ele chegou a anunciar que gostaria que tudo fosse queimado após seu falecimento.
Depois de sua morte, em 1991, seu filho Samuel tomou as rédeas. E exposições com o trabalho do pai começaram a surgir pelo mundo, inclusive aqui no Brasil;)
Para conhecer mais do trabalho deste fotógrafo assista ao filme abaixo:





















