segunda-feira, 21 de novembro de 2011

guy bourdin sem delongas



O celébre fotográfo Guy Bourdin ganhou algumas exposições no Brasil esse ano, no Rio, São Paulo e a recente expo em Porto Alegre, uma mostra de filmes Cinefilms de Guy  Bourdin que se tornou conhecido pelos elaborados editoriais de moda inspirados na estética surrealista. Ele influenciou importantes nomes da arte contemporânea como David LaChapelle, Nick KnightDavid Lynch e Madonna que rendida a sua linguagem, foi processada pelo seu filho e herdeiro (Samuel Burdin) por copiar fotos do pai em seu clipe “Hollywood”, de 2004. 




Contemporâneo de Helmut NewtonGuy é menos pop que o colega mas muito mais cult. O fotógrafo e ilustrador francês nasceu em 1928, em Paris, e foi abandonado pela mãe um ano depois. Viveu no Senegal, recrutado pelo exército francês, onde começou a ter aulas de fotografia. Voltando a Paris, virou pupilo de ninguém menos do que Man Ray e logo foi escalado pela “Vogue francesa para rechear as páginas da revista com seu imaginário pra lá de erótico. 
As páginas da revista pra Bourdin, eram duplas e recheadas de sexualidade e violência, dais quais fugindo do óbvio nas cenas cotidianas. Como desenhista, tinha total liberdade para criar. Pensava exatamente no peso de cada elemento e fazia inúmeros rascunhos antes de fotografar. Para Shelly Verthime, especialista no artista – e uma das autoras do livro “A Message For You” (sobre o universo criativo do artista e sua parceria profissional com a modelo Nicolle Meyer, também autora da publicação) – a singularidade do trabalho dele está “na composição, cores, jogo de real e irreal, mistério e surrealismo: “Enquanto todos os anúncios são iguais, ele explora o olhar através de uma fechadura”.



Guy Bourdin se tornou referência em publicidade através dos anúncios da marca de sapatos Charles Jourdan, pra quem contribuiu durante 14 anos. Sua identidade é tão forte que é impossível alguém ter passado pelos anos 70 sem notar suas campanhas. Romântico radical da profissão, acreditava na pureza do destino de cada imagem e não aceitava que uma foto fosse veiculada fora da mídia pra qual foi feita. Mas o fotógrafo não primava pelo zelo com seu acervo pessoal e muito de sua obra ficou perdida. Polêmico, ele chegou a anunciar que gostaria que tudo fosse queimado após seu falecimento. 



Depois de sua morte, em 1991, seu filho Samuel tomou as rédeas. E exposições com o trabalho do pai começaram a surgir pelo mundo, inclusive aqui no Brasil;)

Para conhecer mais do trabalho deste fotógrafo assista ao filme abaixo:

Enter the Void film by Gaspar Noé (2009)


Gaspar Noé já havia chocado em 2002, com seu polêmico filme Irreversível, no qual ele explorava cenas fortes
de estupro. Apedrejado por uns e ovacionado por outros, encontrou recepção semelhante com seu novo (já antigo) trabalho, Enter The Void, que estreou no Festival de Cannes em 2009, mas só começou a carreira um ano depois, não tendo, até hoje, alcançado o circuito brasileiro. Em Enter the Void, a fotografia e a ideologia de um diretor extremamente maduro e icônico é ferozmente visível e instigante!

Nascido na Argentina e graduado na França, Noé trabalhou no projeto por cerca de 20 anos. A intenção era discursar sobre a experiência do quase-morte, através de uma visão subjetiva. A curiosidade sobre o assunto foi tanta, que o diretor declarou que já tentou várias vezes “sair” do próprio corpo, através de experiências de privação do sono, hipnose e até substâncias ilícitas. É com esta vibe alucinógena que ele desenvolveu todo o filme.


A própria abertura já começa hipnotizante com um profusão de cartelas de créditos, numa gama imensa de fontes e cores de letreiros, num resultado que Quentin Tarantino definiu como a melhor abertura de filme da história. Ela, por sua vez, conta a história de dois irmãos Oscar e Linda. Ele é traficante de pequeno porte e ela stripper em uma boate. Ambos sofreram um trauma na infância, quando sobreviveram ao acidente de carro que matou seus pais e o filme mostra esse impacto sob um ângulo agudo, traumático e real.

A droga que é protagonista de toda história é o DMT, Discrete Multitone Modulation, modulação baseada na idéia de multiplexação por divisão de frequência, é o princípio ativo da mistura do ayahuasca, utilizado nos rituais do Santo Daime e do vinho de Jurema sendo bem conhecida pelos índios brasileiros e na América do Sul em geral e sua propriedade psicodélica tem efeito curto e intenso quando fumada em forma de base livre. O DMT é sintetizado pelo corpo humano, e é produzido quando estamos prestes a morrer.



Noir realiza o filme com primazia e quase todo em plano sequência, aliás um dos melhores, se não o melhor plano do filme acontece na segunda cena quando Alex, amigo de Oscar e interpretado por Cyril Roy sai da casa de Oscar descendo uma escada interminável em caracol explicando toda a onda do DMT, logo a câmera os acompanha e o espectador pode compreender quão sutil é o cinema quando o diretor utiliza a linguagem cinematográfica para comunicar uma coisa universal, é através dessa conversa/ação dos atores que o diretor apresenta a cidade de Tóquio ao espectador, preparando seu olhar ao magnifico colorido dessa cidade, de chorar!!!!


Clique aqui para baixar o filme e assista ao trailer oficial abaixo!




Be or not Benetton?

Recentemente foi lançada na mídia impressa e internet a mais nova e polêmica campanha da Benetton. De cara, a campanha já é capaz de gerar uma infinidade de controvérsias, já que as fotos publicadas da Campanha UNHATE (ou não ódio) têm graças ao nosso querido photoshop, unido com beijinhos, figuras importantes como líderes políticos e religiosos... Barack Obama., Hugo Chavéz ou o Papa Benedetto XVI além de Ahmed Mohamed el-Tayeb dentre outros, na tentativa de gerar a paz no mundo, por vez!




A controvérsia mais interessante que circula na internet é, porque a Benetton que costuma ser uma marca tão criativa em suas campanhas, se subjugou a uma mesmice de apelo a paz mundial? A idéia do "desodeie" gerou a retirada de circulação da foto do Papa por força do Vaticano e independente de alguns lideres nem se odiarem tanto assim, como no próprio exemplo da foto com o egípcio Ahmed Mohamed al-Tayeb e o Papa Bento XVI  que por sinal, seria melhor substituir pelo Papa Shenouda II, já que os choques entre coptas e mulçumanos têm sido frequentes no Egito!!!




As propagandas da Benetton tem um longo histórico de transgressão. O slogan "cores unidas", mais a utilização de modelos de todas as raças, algo raro ainda nos anos 80 deram a griffe uma imagem de transada, avançada e moderna por ter claro, uma clara preocupação social. Oliviero Toscani, fotográfo responsável pela criação das peças que tornaram a Benetton conhecida no mundo inteiro, fez com que as roupas fossem saindo de cena, cedendo o lugar para imagens potencialmente escandalosas, ele acabou sendo afastado da empresa.






Com isso, a Benetton triunfantemente voltou as manchetes do mundo inteiro, depois de muito tempo no ostracismo do mundo fashion, desde que fechou lojas no exterior e se concentrou no mercado italiano. Nada como retomar polemizando, valeu Benetton!

Veja o vídeo da campanha logo abaixo!!!